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viernes, 31 de octubre de 2008

Ultimas adquisicións: ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA


TÍTULO: ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

AUTOR: JOSÉ SARAMAGO

A palavra ensaio engana-nos um pouco, mas pelo autor, espera-se logo que o título Ensaio Sobre a Cegueira não represente apenas um escrito sobre a cegueira em si, o que é logo comprovado nos dois primeiros parágrafos que nos põem diante de uma narrativa envolvente e provocante, digna de José Saramago. Tudo começa com a cegueira repentina de um homem ao estar parado no sinal vermelho. Sua cegueira é branca, um mar de leite é como ele a descreve. Saramago apresenta o que as pessoas vão percebendo aos poucos e confirma no final do livro: as reações do ser humano às necessidades, à incapacidade, à impotência, ao desprezo e ao abandono. E uma cadeia sucessiva de cegueira vai-se formando. Uma cegueira diferente, uma treva branca. O governo não demora a perceber que se trata de uma epidemia e toma providências, porém, sendo formado por seres humanos, logo extingue. O mundo dos cegos está criado e também a luta pela sobrevivência. Alguns cegos, inicialmente isolados pela doença, conseguem se organizar, e assim, o poder, a obediência, a ganância, o carinho, o desejo, a vergonha e outras características do ser humano vão-se destacando. O sentimento, a ação e a atitude de cada indivíduo passam a ser suas identidades, pois os personagens não têm nomes. Este mundo não distingue os animais, pois os racionais passam a se guiarem mais pelo instinto. O mundo tende à extinção. Felizmente, tão de repente como veio, a cegueira vai-se, restando a contemplação.

miércoles, 29 de octubre de 2008

Novas adquisicións: MATERNA DOÇURA


"Ninguém diga que conhece a última geração de ficcionistas portugueses se não tiver lido e relido este livro". O romance "A Materna Doçura", obra dividida em três partes como forma de sugerir as etapas da vida de uma criança (a personagem principal) que ficou órfã de mãe muito cedo. Descreve, Cachapa, amores e desamores, vidas a construir-se e a descontruir-se, pois esse é o processo explícito de quase todas as vidas, excepto duas ou três que explodem na destruição do mundo tal como ele era julgado existir. O romance não fala de festas com classe nem de brincos de princesa pink. Fala de brilhos nos olhos, como se fossem as vidas ansiadas e jamais atingíveis, fala de amores do tamanho da Lua. Amores de filhos pelas mães (as de sangue e as de ser), dos amores das mães de sangue e das de ser pelos filhos, dos amores dos pais de ser e dos de sangue pelos filhos, e dos amores da carne entre mães e filhos, num cinema de arte pornográfica sem close ups.